24 de junho de 2026
Crescimento do PIB não é constante por falta de produtividade, diz Bueno | CNN Brasil

Recentemente, o Brasil caiu sete posições no Ranking Mundial de Competitividade 2026, ocupando agora a 65ª posição, um dos resultados mais baixos dos últimos anos. Essa queda está diretamente relacionada à diminuição da produtividade da economia nacional. No primeiro trimestre de 2023, a produtividade, medida pelas horas efetivamente trabalhadas, apresentou uma retração de 0,5% em relação ao ano anterior, conforme dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Desempenho do PIB Brasileiro

Em entrevista ao CNN Money, o colunista Gilvan Bueno destacou que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil não é sustentado por melhorias na produtividade. Segundo ele, a expansão econômica está atrelada principalmente às commodities e a estímulos pontuais, como programas de transferência de renda, liberação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e incentivos fiscais. Para Bueno, “o Brasil tem um PIB que cresce, mas não por uma força produtiva efetiva”.

Estrutura da Economia

A análise de Gilvan revela que a estrutura econômica do Brasil é um fator que contribui para a situação atual. Aproximadamente 70% do PIB é proveniente do setor de serviços, entre 20% e 25% da agropecuária, e apenas cerca de 5% da indústria. Essa configuração tem reflexos diretos no mercado de trabalho, que apresenta uma concentração significativa de empregos em atividades com remunerações mais baixas.

Desigualdade e Endividamento

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) expostos pelo colunista ressaltam que apenas 5% dos brasileiros auferem rendimentos superiores a cinco salários mínimos. Enquanto isso, uma grande parte da população enfrenta dificuldades financeiras e elevado nível de endividamento.

Desafios Estruturais

A baixa competitividade do Brasil, segundo Bueno, é resultado de desafios estruturais que abrangem áreas como educação, tributação, acesso ao crédito e o ambiente de negócios. Ele argumenta que o Brasil não só precisa de um aumento nos investimentos, mas também de melhorias na qualidade desses investimentos, especialmente na educação, além da redução de barreiras ao empreendedorismo, que incluem burocracias e obstáculos na obtenção de recursos financeiros.

Oportunidades e Futuro do Brasil

Gilvan Bueno também ressalta que o país possui oportunidades significativas em setores estratégicos, como a geração de energia renovável, com ênfase na energia eólica no Nordeste. O desafio, segundo ele, é transformar essas vantagens competitivas em um projeto de longo prazo que seja capaz de impulsionar a produtividade, criar novas cadeias produtivas e reter talentos no país.

Essa análise nos mostra que, para que o Brasil consiga reverter seu quadro de competitividade, é fundamental não apenas buscar crescimento econômico, mas também implementar reformas e melhorias estruturais que fortaleçam a base produtiva do país.

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