24 de junho de 2026
Contador é alvo de operação que apura desvio R$ 55 milhões aos cofres | G1

Na manhã de terça-feira (23), a Polícia Civil cumpriu um mandado de busca e apreensão em Palmas, investigando um esquema fraudulento que opera no agronegócio. Um contador de 32 anos é o principal alvo desta nova fase da Operação El Dourado, sendo suspeito de participação em um esquema que causou danos fiscais superiores a R$ 55 milhões ao Estado do Tocantins.

Detalhes da Operação El Dourado

A Operação El Dourado foi iniciada em março de 2026, com o objetivo de desmantelar uma organização criminosa que utilizava “empresas de fachada” ou “noteiras”. Essas entidades eram criadas para simular a compra e venda de grãos, como soja e milho. O intuito era gerar créditos falsos de ICMS, o que permitia a redução indevida de impostos para terceiros.

O contador, cujo nome não foi revelado, assumiu a gestão do escritório de contabilidade da organização após a fuga de Paulo César Maciel dos Santos, identificado como o líder do grupo.

Apreensões e Resultados da Ação

A abordagem foi realizada pela Divisão Especializada de Repressão a Crimes Contra a Ordem Tributária (DRCOT) e contou com o apoio da Secretaria da Fazenda. Durante a busca na residência do contador, localizada no Plano Diretor Sul, foram apreendidos diversos dispositivos, incluindo notebooks, celulares e carimbos. Também foram encontrados entorpecentes.

Funcionamento do Esquema

Segundo o delegado Vinicius Mendes de Oliveira, o contador cumpria um papel essencial no esquema, gerenciando as contas bancárias através de seu celular. Para realizar transferências significativas, ele se deslocava até os “laranjas” da organização, utilizando o reconhecimento facial deles nos aplicativos bancários.

Paulo César Maciel dos Santos continua foragido da Justiça, e há indícios de que ele tenha submetido a procedimentos estéticos recentes para dificultar sua identificação e captura pelas autoridades.

Eficiência do Grupo Criminóso

As investigações revelam que o grupo utilizava uma estrutura física mínima para criar a aparência de legalidade. Em apenas seis meses, uma das empresas envolvidas reportou uma movimentação superior a R$ 464 milhões, mas recolheu apenas R$ 39 mil em tributos, o que resultou em um prejuízo próximo a R$ 55,9 milhões ao Estado.

Os locais de funcionamento das empresas eram muitas vezes reduzidos a pequenas salas, frequentemente apenas com uma mesa e um computador, sem a infraestrutura necessária para armazenar ou transportar grãos. Ex-funcionárias relataram que foram contratadas apenas para manter os estabelecimentos abertos e facilitar o acesso remoto aos sistemas.

Uso de “Laranjas”

Para evitar a detecção dos verdadeiros responsáveis, o grupo utilizava pessoas em situações de vulnerabilidade econômica como “laranjas”, fazendo com que o controle das operações ficasse distante dos líderes. A organização monitorava constantemente as atividades da Secretaria da Fazenda e, ao detectar qualquer bloqueio de CNPJ, agia rapidamente, abandonando o registro e criando uma nova empresa para continuar com as atividades ilegais.

O material apreendido passará por perícias detalhadas, que contribuirão para a continuidade das investigações e a responsabilização dos envolvidos no esquema.

Essa situação ressalta a importância da ação policial na luta contra fraudes que prejudicam não apenas a fiscalidade, mas também a sociedade como um todo.

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