23 de outubro de 2026
GLP-1 entra em nova fase para farmácias, com preço menor e disputa por volume, diz XP

Novos Rumos do Mercado de Semaglutida no Brasil

Seis meses após o término da patente da semaglutida, o princípio ativo presente nas canetas utilizadas para emagrecimento, o mercado brasileiro testemunha o surgimento de novos produtos da categoria GLP-1. Segundo análises da XP Investimentos, essa evolução sinaliza uma nova fase no setor, focando mais em volumes de venda e condições comerciais do que necessariamente na receita gerada.

Produtos Disponíveis

Atualmente, as farmácias brasileiras oferecem apenas duas marcas de semaglutida sintética: o Ozivy, desenvolvido pela EMS, e o Semavy, produzido pela Hypera (HYPE3). Com a corrida para registrar esses produtos chegando ao fim, as empresas agora intensificam a competição para garantir a presença de seus itens nas prateleiras das farmácias.

Concorrência e Preços

Com o avanço de uma nova leva de lançamentos e a introdução de genéricos a preços mais acessíveis, a expectativa é que a concorrência no mercado se intensifique, principalmente em relação aos custos dos medicamentos. A XP Investimentos menciona que a competição acirrada por espaço nas prateleiras pode transformar as farmácias em verdadeiros negociadores de preços, o que, por sua vez, pode resultar em aumentos nas margens de lucro. Contudo, a XP alerta que uma margem maior sobre um produto de menor preço só será benéfica se os volumes de venda acompanharem esse crescimento.

Expansão da Categoria

Além disso, a categoria de produtos similares está se diversificando, incluindo associações de medicamentos, farmácias independentes e até mesmo plataformas de comércio eletrônico, como o Mercado Livre (BDR: MELI34). Essa expansão promete ampliar o acesso aos tratamentos, tornando-os mais disponíveis ao público.

Regulamentação e Preços dos Genéricos

As normas regulatórias estipulam que os genéricos devem ser vendidos por pelo menos 35% abaixo do preço do produto de referência. Com isso, espera-se que o valor das canetas fique em torno de R$ 430. A possibilidade de as canetas emagrecedoras serem incorporadas ao Sistema Único de Saúde (SUS) deve ter um impacto limitado. Conforme os analistas da XP, o controle eletrônico das prescrições pode facilitar as vendas através de canais formais.

Expectativas sobre a Incorporação ao SUS

A análise é de que, em uma fase inicial, a população atendida será bastante restrita, e a oferta pública pode facilitar o acesso, sem necessariamente retirar clientes do mercado privado. No dia 17 de setembro, o governo anunciou sua intenção de disponibilizar as canetas pelo SUS, e em 24 de setembro, o Ministério da Saúde formalizou o pedido de incorporação.

Impactos e Riscos no Mercado

Há também a possibilidade de que essa distribuição através do Farmácia Popular traga efeitos positivos para as redes, pois um aumento do fluxo nas lojas poderia gerar oportunidades para vendas adicionais de outros produtos. No entanto, existe o risco contrário. Compras em larga escala pelo governo poderiam estabelecer preços de referência baixos, aumentando a pressão sobre os valores praticados no varejo privado.

Conclusão

O cenário atual do mercado de semaglutida é promissor, mas cheio de nuances que podem impactar diferentes segmentos, desde as farmácias até as redes de saúde pública. À medida que a competição aumenta e novos produtos entram em cena, será crucial acompanhar como esses fatores influenciarão o acesso e os preços dos tratamentos disponíveis.

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