23 de outubro de 2026
Temporada de balanços dos bancos começa com foco na inadimplência | CNN Brasil

Resultados do Terceiro Trimestre dos Bancos Brasileiros

A nova temporada de divulgação de resultados do terceiro trimestre dos principais bancos brasileiros inicia esta semana. Um aspecto que merece atenção é a qualidade dos ativos no setor, considerando o elevado nível de endividamento das famílias, a alta taxa de inadimplência e a possibilidade de novas medidas macroprudenciais.

De acordo com a análise do UBS BB, liderada pelo especialista Thiago Batista, a comunicação das instituições financeiras durante suas conferências será crucial. A maioria dos relatórios será divulgada após o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para o próximo domingo.

Impacto das Eleições nas Ações Bancárias

Após o primeiro turno das eleições, as ações dos grandes bancos brasileiros experimentaram uma valorização significativa. Isso ocorreu após o senador Flávio Bolsonaro (PL) mostrar-se à frente do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), gerando uma percepção de que uma mudança nas expectativas fiscais é possível.

No dia 5, os índices de fechamento mostraram um salto expressivo nas ações: BTG Pactual Unit cresceu 22,52%; Bradesco PN avançou 13,57%; Banco do Brasil subiu 11%; Itaú Unibanco PN cresceu 10,37%; e Santander Brasil Unit terminou com um aumento de 2,63%. O Ibovespa, por sua vez, teve uma alta de 7,7% nesse pregão.

Inadimplência e Medidas do Banco Central

Dados recentes do Banco Central, referentes ao final de setembro, indicam que a inadimplência em recursos livres atingiu 6,6% em agosto, o maior patamar desde o início da série histórica em março de 2011. O Banco Central está considerando a implementação de medidas para contornar o elevado endividamento, o que sugere a possibilidade de novas exigências de capital e mudanças em impostos relacionados a operações financeiras.

Preocupações com o Banco do Brasil

O Banco do Brasil (BB) é o que mais preocupa os analistas no setor. O BTG Pactual, sob a liderança de Eduardo Rosman, manifesta cautela em relação ao desempenho do banco, citando fraquezas operacionais, apesar do potencial aumento de confiança com uma possível mudança de governo.

Os analistas do BTG destacam que as provisões do BB são uma incógnita, especialmente devido à alta concentração de vencimentos de empréstimos no setor agro no terceiro trimestre. Projeções indicam um aumento significativo nas provisões, que podem variar de um aumento de um dígito alto a dois dígitos baixos.

Além disso, a equipe do JPMorgan revisou sua recomendação para as ações do BB, reduzindo para “underweight”, com a expectativa de que a recuperação do banco seja lenta.

Expectativas para Outros Bancos

O Bradesco, que será o primeiro banco a divulgar resultados no calendário do Ibovespa, é esperado que apresente um resultado levemente negativo devido ao aumento das provisões. A equipe do Citi pode ver um resultado misto, onde receitas de tarifas poderão compensar parcialmente os desafios relacionados à qualidade dos ativos.

As projeções para o Bradesco indicam um lucro líquido de R$ 7,1 bilhões. No caso do Nubank, os analistas do UBS BB preveem um aumento nas receitas e um crescimento moderado do lucro, embora com um leve aumento nas provisões comparado ao trimestre anterior. O lucro estimado é de US$ 1,09 bilhão.

Para o Santander Brasil, as expectativas de lucros são fracas, em razão do crescimento modesto da carteira de crédito e da qualidade dos ativos sendo motivo de atenção, especialmente no segmento de cartões. A previsão de lucro é de R$ 3,2 bilhões.

Resultados do Itaú e BTG Pactual

O Itaú Unibanco deve apresentar resultados sólidos, com controle rigoroso de custos ajudando a sustentar os lucros, apesar do crescimento mais lento na carteira de crédito. A equipe do Citi espera um desempenho consistente, sem grandes surpresas, enquanto o BTG Pactual também se espera que se destaque em termos de crescimento de lucros.

As datas para divulgação de resultados estão definidas: o Itaú anunciará os seus números em 3 de novembro, seguido pelo BTG no dia 10, com lucros projetados de R$ 12,6 bilhões e R$ 5,2 bilhões, respectivamente.

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