
SÃO PAULO, 16 de setembro (Reuters) – As taxas dos DIs de médio e longo prazos apresentaram queda na quarta-feira, influenciadas pelo cenário eleitoral. Os investidores aguardam a definição dos juros pelo Banco Central, que será anunciada no início da noite.
Após a decisão sobre os juros pelo Federal Reserve, no meio da tarde, as taxas de curto prazo se aproximaram da estabilidade, após uma manhã de desvalorização. No fechamento, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 ficou em 13,675%, com um aumento de 2 pontos-base em relação à última sessão, que era de 13,655%. Já a taxa do DI para janeiro de 2035 registrou 14,22%, apresentando uma queda de 14 pontos-base em comparação com a anterior, que era de 14,364%.
Desempenho Econômico e Expectativas
As taxas começaram a cair logo no início do dia, impulsionadas pelo anúncio do Banco Central sobre a queda de 0,2% do Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) em julho, em relação a junho, considerando o ajuste sazonal. Esse resultado ficou abaixo da expectativa de uma retração de 0,1% por parte dos economistas consultados pela Reuters, refletindo uma tendência de desaceleração da atividade econômica. Essa situação abre espaço para novos cortes na taxa básica Selic, atualmente em 14%.
No período da tarde, o Federal Reserve anunciou um aumento de 25 pontos-base em sua taxa de juros, elevando-a para uma faixa entre 3,75% e 4,00%. O Fed sinalizou que novos aumentos poderão ocorrer nos próximos meses, com o intuito de controlar a inflação nos Estados Unidos. Em suas previsões, os membros da instituição indicaram a possibilidade de mais uma alta de 25 pontos-base em 2026.
Cenário Internacional
Na coletiva de imprensa que se seguiu à decisão do Fed, seu presidente, Kevin Warsh, afirmou que a inflação americana está “muito alta” e permanece assim há “tempo demais”. Como resultado dessa decisão, os rendimentos dos Treasuries se fortaleceram, com a taxa do título de dois anos subindo para o território positivo. Apesar disso, as taxas dos DIs de médio e longo prazos continuaram em queda.
Segundo o economista-chefe da BGC Liquidez, Felipe Tavares, o cenário externo se mostra desafiador, com o Fed elevando os juros e os preços do petróleo superando os US$100 por barril. Ele observou que, com isso, a curva brasileira deveria estar se ampliando. No entanto, o foco predominante é a eleição, onde mudanças nas preferências dos eleitores podem estar ocorrendo, o que influencia a percepção do mercado.
Perspectivas Eleitorais
Recentes pesquisas indicam que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está empatado tecnicamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida presidencial, com Flávio à frente em algumas simulações de segundo turno. Ele tem o apoio de importantes setores do mercado, que veem Lula como um obstáculo para ajustes fiscais.
Internamente, o noticiário também foi dominado pela crise no Supremo Tribunal Federal (STF). A corte decidiu adiar a avaliação sobre a junção de dois casos envolvendo seus ministros, um deles relacionado a uma possível investigação contra Alexandre de Moraes. O ministro Flávio Dino pediu vista, suspendendo o julgamento.
A crise no STF, que afetou a imagem de Moraes, poderá ser vista como um fator que beneficia Flávio em relação a Lula, segundo alguns analistas.
Expectativas para a Selic
Ainda nesta quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central irá anunciar sua decisão sobre a taxa Selic, atualmente em 14%. Tanto a curva de juros quanto os economistas do mercado esperam um corte de 25 pontos-base. Entretanto, a atenção se volta para o comunicado que acompanhará a decisão, que poderá oferecer pistas sobre reuniões futuras, especialmente em novembro.
Por último, o petróleo, que recentemente teve um papel de suporte para a curva brasileira, apresentava uma queda na sessão, mas ainda estava em níveis elevados, com o barril do Brent próximo a US$106 no fechamento do dia. Às 16h38, o rendimento do Treasury de dois anos subia 6 pontos-base, alcançando 4,721%.
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