23 de outubro de 2026
Fachin a Gilmar: situações relatadas sobre precatórios 'exigem apuração rigorosa'

Apuração de Irregularidades nos Precatórios

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, manifestou-se recentemente sobre as denúncias apresentadas pelo ministro Gilmar Mendes em relação a irregularidades na emissão de precatórios. Em um ofício enviado a Gilmar, Fachin destacou que essas questões “exigem apuração rigorosa”, evidenciando a gravidade da situação.

Propostas de Fiscalização

Com a intenção de abordar as preocupações levantadas, Fachin se comprometeu a encaminhar a sugestão de Gilmar para ampliar a fiscalização dos precatórios à Corregedoria Nacional de Justiça (CNJ). A proposta envolve a revisão de todos os precatórios emitidos pelos tribunais regionais federais, com uma atenção especial aos que estão relacionados ao setor sucroalcooleiro e à revisão da “Tabela SUS”.

Expedição Antecipada de Precatórios

Outro ponto importante levantado por Gilmar Mendes diz respeito à expedição antecipada de precatórios. O decano solicitou a suspensão imediata de todas as decisões que tenham determinado a emissão de precatórios de forma inadequada antes da definição judicial final.

Fachin respondeu a essa solicitação afirmando que a investigação deve identificar casos de expedições que ocorreram antes do trânsito em julgado e outras possíveis irregularidades. Ele enfatizou a necessidade de seguir o devido processo legal e levar em conta as particularidades de cada caso.

Comunicação entre os Tribunais

Uma das medidas que será implementada, segundo Fachin, é a comunicação com todos os tribunais do país. Essa medida visa coletar informações sobre a existência de precatórios emitidos antes da definição judicial definitiva.

Fachin reiterou que a preocupação expressa por Mendes está alinhada com uma agenda estruturante já em andamento no CNJ. Ele mencionou que existem três frentes de trabalho em desenvolvimento: uma nova resolução da política judiciária para o tratamento adequado dos precatórios, a regulamentação das cessões de crédito que foi elaborada em parceria com o Banco Central, e a revisão da resolução existente sobre precatórios. Essas propostas serão submetidas à avaliação do pleno do CNJ em outubro, conforme informou Fachin.

Devolução de Recursos

Na semana anterior, o corregedor nacional de Justiça, Benedito Gonçalves, já havia decidido pela devolução de mais de R$ 7 bilhões em precatórios do setor sucroalcooleiro aos cofres da União. Essa ação foi motivada por um pedido da Advocacia-Geral da União (AGU) e reflete um esforço para corrigir irregularidades passadas.

Práticas Irregulares no Setor Bancário

Outra questão a ser observada é a compra de precatórios por valores inferiores ao nominal, prática que foi utilizada pelo proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro. Ele adquiriu esses títulos a preços que variavam entre 10% e 20% do valor da dívida e, posteriormente, contabilizou-os como créditos bilionários.

O Banco Master tinha em estoque pelo menos R$ 16 bilhões em precatórios e pré-precatórios, sendo que R$ 10 bilhões desse montante eram referentes a títulos do setor sucroalcooleiro. Essas disputas judiciais decorrem de reivindicações de indenização feitas pelas empresas, em razão das políticas de preços implementadas pelo governo federal nas décadas de 1980 e 1990.

Essas informações ressaltam a importância de uma fiscalização mais rigorosa sobre os precatórios e um maior controle sobre práticas que possam comprometer a integridade do sistema financeiro e judiciário no Brasil.

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