23 de outubro de 2026
Diante de tensão com Milei, governo Lula recebe comitiva argentina

Na última quarta-feira, 2 de setembro de 2026, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT), recebeu uma delegação de deputados argentinos no Palácio do Planalto. O objetivo dessa visita é reestabelecer o diálogo e relações entre Brasil e Argentina, em um momento delicado após a crescente tensão entre os presidentes Javier Milei (La Libertad Avanza, direita) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Delegação Argentina em Brasília

A comitiva argentina, liderada pela senadora peronista Maria Florencia Lopez, inclui também o deputado Nicolás Massot, do Encuentro Federal, e Martín Lousteau, deputado da União Cívica Radical e ex-ministro da Economia. O grupo é composto por congressistas de diversas correntes políticas e conta com figuras como Germán Martínez, Victoria Tolosa Paz, Esteban Paulón, Maximiliano Ferraro, Oscar Herrera Ahuad e Eduardo Falcone.

Agenda da Comitiva

A agenda iniciou-se na terça-feira, 1º de setembro, com uma reunião no Itamaraty com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e a ministra substituta, embaixadora Maria Laura da Rocha. No dia seguinte, a delegação teve encontros com Guimarães, representantes do Senado e membros da Comissão de Relações Exteriores e Defesa, além do Grupo Parlamentar Brasil-Argentina.

Posição dos Congressistas Argentinos

Guimarães revelou que os membros do congresso argentino afirmaram que as declarações de Milei em relação a Lula não refletem a visão da maioria da política e do povo argentino. Esse posicionamento busca mitigar as tensões recentes e reiniciar um canal de comunicação entre as nações.

Tensões Diplomáticas Recentes

Essa movimentação ocorre em um cenário de tensão diplomática sem precedentes entre Brasil e Argentina desde a redemocratização. A situação se deteriorou após a participação de Milei, em 25 de julho, na convenção nacional do PL, onde manifestou apoio a Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Durante o evento em São Paulo, Milei criticou Lula e destilou ofensas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, chamando-o de “lixo careca”. Em outras ocasiões, o presidente argentino referiu-se a Lula como “ladrão” e “corrupto”, culminando em uma resposta mais rígida por parte do governo brasileiro.

Reação do Governo Brasileiro

Em resposta às ofensas, no dia 4 de agosto, o Brasil decidiu rebaixar seu nível de representação diplomática em Buenos Aires. O embaixador brasileiro, Julio Bitelli, permaneceu no Brasil, enquanto o ministro-conselheiro Eduardo Uziel ocupou a função de encarregado de negócios.

Além disso, o Itamaraty exigiu uma mudança de postura de Milei. Em 8 de agosto, Mauro Vieira declarou que a normalização das relações bilaterais dependia do fim das agressões contra instituições brasileiras por parte do presidente argentino.

Preocupações do PT

O Partido dos Trabalhadores (PT) expressou apreensão com possíveis interferências nas eleições brasileiras de 2026, envolvendo Fernando Cerimedo, ex-assessor de Milei. Cerimedo foi indiciado pela Polícia Federal por disseminação de desinformação relacionada às urnas durante as eleições de 2022.

Recentemente, surgiram novas evidências, como a apreensão de uma “fazenda de bots” vinculada a Cerimedo na Bolívia e uma transmissão ao vivo recente com Eduardo Bolsonaro. Por isso, o deputado federal Rui Falcão (PT-SP) solicitou ao STF a cooperação jurídica com a Bolívia, visando acesso às provas recolhidas durante a investigação.

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