23 de outubro de 2026
Novo mapa-múndi é importante para a percepção global, diz especialista | CNN Brasil

Aprovação do Novo Mapa-Múndi pela ONU

Na última sexta-feira (4), a Assembleia Geral das Nações Unidas decidiu aprovar uma resolução que introduz um novo mapa-múndi. Este mapa foi desenvolvido com o intuito de representar de maneira mais precisa as dimensões relativas dos países. Essa mudança é uma resposta às demandas históricas de países africanos, que solicitaram à ONU uma revisão das distorções presentes na cartografia tradicional.

A Projeção de Mercator e suas Limitações

Tradicionalmente, o mapa que dominava as representações geográficas era baseado na projeção de Mercator. Criada em 1569, essa projeção foi implementada principalmente para facilitar a navegação. Segundo a geógrafa e professora da USP, Ligia Vizeu Barrozo, o objetivo principal na época era preservar os ângulos, assegurando que a rota correta fosse mantida entre dois pontos. Contudo, essa abordagem não considerava a necessidade de uma representação fiel das áreas geográficas.

A Importância da Mudança

Ligia Vizeu Barrozo enfatiza que essa nova representação cartográfica é crucial não apenas para a educação, mas também para a percepção global das dimensões de diferentes continentes. A especialista ressalta que a mudança contribuirá para a melhor compreensão do tamanho e da relevância, tanto da África quanto da América do Sul.

Distorções e suas Consequências

Um dos efeitos mais notáveis da projeção de Mercator é a comparação entre a Groenlândia e o continente africano. No mapa anterior, a Groenlândia aparecia com dimensões desproporcionais, enquanto a África e outras nações sul-americanas eram representadas de forma muito menor. Ligia explica que essa distorção ocorre devido à deformação que acontece nas altas latitudes, especialmente em direção aos polos.

Com o novo mapa aprovado pela ONU, a Groenlândia terá uma representação significativamente menor, enquanto a África e a América do Sul serão mostradas de forma mais precisa, refletindo sua verdadeira extensão. Para Barrozo, a questão vai além de simples ajustes técnicos; trata-se também de uma reivindicação por justiça cartográfica e cognitiva. Isso significa que, ao observar os mapas, as pessoas tendem a ter uma percepção errônea sobre o tamanho das terras, especialmente ao comparar o hemisfério norte com o sul global.

A Neutralidade dos Mapas e Suas Implicações

A especialista ainda ressalta que “nenhum mapa é neutro”. A construção de um mapa carrega consigo escolhas que são moldadas por contextos históricos. Portanto, é fundamental reconhecer que as representações geográficas podem impactar a forma como sociedades veem e entendem o mundo.

Uso do Novo Mapa em Diferentes Contextos

Com a adoção do novo mapa-dimensional, não se pretende eliminar completamente o uso da projeção de Mercator. Ligia Vizeu Barrozo aponta que essa projeção ainda encontrará espaço em aplicações que requerem escalas detalhadas, como os serviços de navegação do Google Maps e Waze.

Por outro lado, em contextos institucionais, educacionais e políticos, onde a precisão é fundamental — como mapeamento de epidemias, demografia e emissões de carbono — o novo mapa será a principal referência. Isso representa um avanço significativo na maneira como os dados são apresentados e interpretados, com um compromisso em manter a proporcionalidade das áreas geográficas.

Fonte: Ver matéria original