23 de outubro de 2026
Iemenitas fogem enquanto guerra se espalha pelo Oriente Médio, diz agência | CNN Brasil

Nos últimos tempos, muitos iemenitas têm recorrido a embarcações para escapar dos conflitos intensificados entre os Houthis, que contam com o apoio do Irã, e as forças respaldadas pela Arábia Saudita. Essa escalada da guerra na região do Oriente Médio tem gerado novas preocupações sobre a segurança no fornecimento global de petróleo.

Fuga em Meio ao Caos

Ahmad Hassan, um homem de 70 anos, compartilhou sua experiência após chegar à África em um barco superlotado. “O mar estava agitado e as crianças estavam enjoando; ninguém está acostumado com essas condições”, relatou ele à Organização Internacional para as Migrações (OIM). Ahmad teve que deixar sua aldeia quando os combatentes Houthis ocuparam a área, o que fez com que ataques aéreos se tornassem frequentes.

Ele descreve a situação como insustentável: “Quanto mais ficávamos, pior as coisas ficavam. As lojas fecharam e não havia mais comida disponível”. Segundo a OIM, mais de 100 mil iemenitas foram forçados a abandonar suas casas devido aos recentes combates, com muitos se deslocando dentro das fronteiras do próprio Iémen.

Conflitos e Ataques Aéreos

Recentes reportagens da televisão controlada pelos Houthis informaram sobre novos bombardeios realizados pelas forças sauditas, especialmente na província de Hajjah, próxima à fronteira com a Arábia Saudita e à costa do Mar Vermelho. Além disso, ataques foram registrados em áreas próximas a Taiz, ao sul e mais para o interior do país.

Os Houthis, que conquistaram rapidamente toda a costa do Mar Vermelho, afirmam que a Força Aérea Saudita intensificou seus ataques. Em resposta, o grupo lançou mísseis e drones rumo ao território saudita. Na quarta-feira passada, os Houthis declaram ter abatido um caça F-15 saudita, divulgando um vídeo que traz imagens dos destroços do avião.

Impacto no Mercado de Petróleo

A escalada do conflito no Iémen e na Arábia Saudita pode intensificar a crise global de energia que começou após os ataques dos EUA e de Israel ao Irã em fevereiro. Esta semana, os preços do petróleo bruto atingiram entre US$ 100 e US$ 110 por barril, a maior concentração desde maio. Com isso, as tarifas de combustíveis subiram acentuadamente, e o diesel nos EUA alcançou recordes, ultrapassando US$ 6,40 por galão.

O ex-presidente dos EUA, Donald Trump, rejeitou até agora solicitações da Arábia Saudita por apoio militar no combate aos Houthis, que já haviam estabelecido um cessar-fogo com os Estados Unidos no ano anterior, após uma ofensiva de dois meses contra o grupo. “Acredito que estamos nos aproximando do fim da guerra”, comentou Trump, expressando otimismo quanto a uma negociação com os iranianos.

Negociações e Blocos Marítimos

Desde um acordo inicial que fracassou em junho, não houve novas negociações entre os EUA e o Irã para pôr fim ao conflito. A Marinha dos EUA está trabalhando para orientar embarcações no Estreito de Ormuz, uma importante via de passagem para o Golfo, que representa cerca de um quinto do petróleo e gás natural liquefeito do mundo. Os EUA também implementaram um bloqueio sobre os portos iranianos, o que tem sido contestado por Teerã, que alega que o estreito permanecerá fechado até a suspensão do bloqueio.

A dinâmica da guerra no Iémen e os ataques em direção à Arábia Saudita geraram riscos adicionais à rota vital para o transporte de petróleo da região. Os Houthis conquistaram a costa do Mar Vermelho e várias ilhas no estreito de Bab el-Mandeb, conhecido como “Portão das Lágrimas”. Além disso, o Oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita, que facilitava o transporte de petróleo para o Mar Vermelho, está parado desde que sofreu danos em um ataque atribuído ao Iraque, onde também existem milícias apoiadas pelo Irã.

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