24 de junho de 2026
Jaques Wagner e o magnífico par de pernas

Em 2007, após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, a necessidade de restabelecer laços com o Partido dos Trabalhadores (PT) se tornava evidente, especialmente após o escândalo do mensalão, que havia colocado o partido sob os holofotes da revista Veja, onde eu atuava como redator-chefe.

Busca por um Diálogo

A melhor forma de iniciar essa aproximação foi buscar Jaques Wagner, que havia sido eleito governador da Bahia. Desde sempre, Wagner se destacou por ter uma abordagem mais flexível em relação a ideais políticos, além de não nutrir ressentimentos.

Um dos editores da revista recorreu a Geddel Vieira Lima, pedindo que ele agendasse um encontro com Wagner. Naquela época, não tínhamos conhecimento de que Geddel possuía um apartamento em Salvador, utilizado exclusivamente para guardar uma coleção impressionante de dinheiro em espécie.

O Encontro no Gabinete

Após algum tempo, recebemos a confirmação de que teríamos um almoço com o governador no seu gabinete. Eu e o editor fizemos uma viagem rápida para a Bahia, animados com a possibilidade de diálogo.

Chegando ao local, encontramos Geddel nos aguardando à entrada do prédio. Após a troca de algumas palavras, seguimos para o andar onde Jaques Wagner estava. Na chegada, a secretária do governador gentilmente nos informou que precisaríamos esperar, pois ele estava reunido com Norberto Odebrecht.

A Espera Inesperada

O tempo passou lentamente — dez, vinte, trinta minutos. Dediquei esse tempo observando a escrita do nome de Jaques Wagner sob diferentes ângulos. A impaciência começou a tomar conta de mim, especialmente como um paulista preocupado em não perder o voo de volta a São Paulo. Pensei em contatar a redação para reservar um hotel em Salvador, quando o telefone da secretária tocou.

Ela conversou de forma discreta e, ao finalizar a ligação, anunciou que o governador nos veria em cinco minutos.

Uma Surpresa Inesperada

Para nossa surpresa, não demorou muito até que uma porta lateral se abrisse. De lá, uma jovem com uma minissaia surgiu, acenando de forma amigável para a secretária. Pouco depois, Jaques Wagner apareceu, com um sorriso no rosto e o cabelo ainda molhado, convidando-nos a entrar em seu gabinete.

Embora Norberto Odebrecht estivesse presente antes de nossa chegada, não obtivemos qualquer indício de que ele ainda estava lá — provavelmente, tinha deixado o local de forma discreta.

Reflexões Finais

Aquela experiência ficou gravada na memória, não apenas pelos encontros políticos, mas também pela percepção de como as situações podem se desenvolver de maneiras inesperadas. A relação entre jornalistas e políticos é marcada por complexidades e interações que frequentemente revelam facetas interessantes do cotidiano político.

Assim, mesmo histórias que parecem esquecíveis têm o poder de nos ensinar algo valioso, permitindo que sejam revisitadas e compartilhadas com novas perspectivas.

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