24 de agosto de 2026
Operação do Campo de Marte não deve ter impacto no setor imobiliário, prevê DECEA

Aeroporto Campo de Marte: Novas Regras de Operação em São Paulo

O Aeroporto Campo de Marte, localizado na zona norte de São Paulo, está passando por uma alteração significativa em sua operação. A partir do dia 15 de setembro, o aeroporto começará a operar sob as Regras de Voo por Instrumentos (IFR, em inglês). Essa mudança exige a implementação de uma área de proteção com um raio de 20 km ao redor do aeródromo.

Impacto nos Projetos Imobiliários

De acordo com o tenente-Brigadeiro do Ar Sérgio Bastos, que é o diretor-geral do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), as implicações dessa nova regulamentação nos projetos imobiliários foram menos drásticas do que se poderia supor. “Os índices de aprovação permanecem relativamente estáveis”, afirmou. “Mesmo com a nova zona de proteção IFR e um aumento no número de pedidos para construções, a taxa de exigência para abertura de processos tem se mantido quase inalterada.”

Os dados evidenciam essa afirmação. Entre junho e dezembro de 2025, durante o período em que o Campo de Marte operou apenas sob as Regras de Voo Visual (VFR), foram feitos 6.399 pedidos de autorização para construção. Destes, 4.175 tiveram aprovação imediata, enquanto 728 (12%) necessitaram de um processo mais detalhado.

No período de janeiro a junho de 2026 — já sob as novas restrições do IFR — o número de solicitações subiu para 8.187, representando um aumento de 28%. Apesar do volume maior, 4.656 pedidos foram aprovados rapidamente e 1.081 (13%) resultaram em processos mais complexos.

A Nova Avaliação dos Pedidos

O tenente-Brigadeiro Bastos explica que a avaliação dos pedidos se torna mais rigorosa por conta das especificidades do voo por instrumentos. Nesse regime, o piloto não precisa manter contato visual com o solo ou com o céu, operando apenas com os instrumentos da aeronave. Isso exige um nível mais alto de proteção ao redor das áreas de voo.

“Os pilotos poderão realizar procedimentos de navegação aérea sem necessidade de condições visuais, baseando-se exclusivamente nos instrumentos de bordo”, destacou o brigadeiro. “Portanto, a criação de uma área de proteção ao redor do trajeto se torna ainda mais crítica e rigorosa.” A área de proteção de 20 km segue as diretrizes da Organização de Aviação Civil Internacional (OACI), da qual o Brasil é um dos signatários.

Novos Procedimentos para a Operação IFR

Para garantir essa transição, o DECEA desenvolveu um conjunto de procedimentos específicos, como a Saída Padrão por Instrumentos (SID), Chegada Padrão por Instrumentos (STAR) e Aproximação por Instrumentos (IAC), todos concentrados na pista 12 do aeroporto. Os novos processos também incluem diretrizes para situações de aproximação perdida — quando o pouso não pode ser executado.

“O DECEA tem a responsabilidade de estabelecer um conjunto de medidas de navegação aérea que possibilitem a operação de aeronaves no Campo de Marte em condições IFR”, ressaltou Bastos. “O planejamento foi baseado em rigorosos padrões de segurança, levando em conta diversos fatores, como o intenso tráfego aéreo da cidade, a presença de grandes aeroportos, como Congonhas e Guarulhos, e as particularidades de um aeroporto situado em uma metrópole.”

Segurança dos Empreendimentos Existentes

O brigadeiro também se mostrou confiante em relação ao impacto das novas regras sobre os já existentes empreendimentos imobiliários. Os Objetos Projetados no Espaço Aéreo (OPEA) já registrados pelo DECEA não representam risco para a segurança das operações sob IFR.

“Exemplos disso incluem o Edifício Itália, situado a cerca de 4 km do aeroporto, que possui 46 andares e uma altura total de 925 metros, e o Pico do Jaraguá, localizado a aproximadamente 14 km do aeródromo, com uma altitude de 1.135 metros”, comentou o brigadeiro. “Ambos coexistem com segurança dentro da estrutura do espaço aéreo e das normas de navegação atendidas pelo aeroporto.”

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