
Possíveis Mudanças nas Regras de Comercialização de Gás Natural
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, declarou nesta sexta-feira (7) que uma revisão nas normas de comercialização de gás natural pode levar a estatal a reavaliar projetos em andamento. Sua declaração veio logo após a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) avançar com a proposta para a desconcentração do mercado, conhecida como “gas release”.
Consulta Pública e Proposta da ANP
A ANP anunciou a abertura de uma consulta pública que durará 45 dias, a respeito de uma minuta de resolução que visa criar o Programa de Redução da Concentração no Mercado de Gás Natural. Este programa prevê a implementação de mecanismos que podem exigir que empresas com posição dominante, como a Petrobras, ofertem parte do gás que comercializam por meio de leilões competitivos.
Em uma teleconferência com analistas, onde discutiu os resultados do segundo trimestre, Magda expressou sua insatisfação com a proposta e enfatizou que a estabilidade das regras é crucial para a Petrobras ao tomar decisões de investimento. “Nossos projetos envolvem óleo e gás associados e quaisquer mudanças regulatórias afetam a estruturação”, afirmou.
Contexto da Discussão no Mercado de Gás
A discussão sobre a comercialização de gás natural é uma das principais pendências na abertura do mercado brasileiro. Previsto na Lei do Gás, o mecanismo tem como objetivo facilitar o acesso à molécula para outros comercializadores, aumentando a competição por consumidores e, consequentemente, reduzindo o poder das empresas dominantes.
No entanto, a Petrobras reiterou em sua declaração que o mercado já experimentou uma desconcentração significativa e que uma nova intervenção regulatória seria desnecessária. A empresa ressaltou que atualmente existem 31 companhias atuando na comercialização, além de cerca de 100 consumidores livres no mercado.
Argumentos da Petrobras e da ANP
A diretora executiva de Transição Energética e Sustentabilidade da Petrobras, Angélica Laureano, também se posicionou contra a necessidade do programa, afirmando: “Somos 56% do mercado. O mercado já está aberto e não há o que se discutir sobre ‘gas release’”.
Contraponto a isso, a avaliação da ANP parece ser diferente. Durante a votação que autorizou a consulta pública, o diretor-relator Pietro Mendes indicou que a Petrobras foi responsável por 59% da disponibilização de gás natural em 2025. Para ele, essa concentração ainda é elevada. “O grande atravessador no mercado hoje é a Petrobras”, comentou Mendes durante seu voto.
Dados de Mercado e Análise
De acordo com dados apresentados por Mendes, a Petrobras adquire gás de outros produtores a uma média de US$ 3,8 por milhão de BTU e comercializa o mesmo produto por cerca de US$ 12,4 por milhão de BTU. Isso levanta questionamentos sobre a dinâmica de preços e competitividade no mercado.
A área técnica da ANP também observou que a inclusão de novos comercializadores não foi acompanhada por uma redução proporcional nos volumes negociados pela Petrobras. Essa interpretação sugere que, apesar do aumento no número de participantes do mercado, o poder de influência da companhia estatal continua elevado.
Conclusão
Os desdobramentos dessa situação podem ter um impacto significativo no futuro do mercado de gás natural no Brasil. A tensão entre a Petrobras e a ANP pode definir não só a estrutura de comercialização, mas também o ambiente de negócios para novos entrantes no setor. As próximas semanas, com a consulta pública em andamento, serão cruciais para entender as direções que o mercado pode tomar.
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