
Estratégia de Flávio Bolsonaro para 2026
A campanha de Flávio Bolsonaro para a presidência em 2026 terá como foco principal o desgaste do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT. Essa análise foi feita por João Paulo Machado, analista político da XP, durante uma edição especial do programa Mapa de Risco, do InfoMoney, que foi transmitido na última sexta-feira (17).
Repetição de Estratégias Passadas
Machado acredita que a estratégia do bolsonarismo será semelhante à que o PT utilizou em 2022. Naquela eleição, Lula soube aproveitar o cansaço do eleitorado em relação ao governo Jair Bolsonaro para aumentar sua rejeição. Agora, a oposição buscará explorar a insatisfação crescente com o petismo.
“A percepção é de que o cansaço com o petismo pode ser um trunfo importante para o bolsonarismo. Pesquisas recentes indicam não só um desgaste na administração de Lula, mas também no seu tempo de exposição política. Ele participou de praticamente todas as eleições presidenciais desde 1989 e agora está em seu terceiro mandato, buscando um quarto”, explicou Machado, ressaltando que esta narrativa será um dos pilares para a campanha de Flávio.
Foco no Antipetismo
De acordo com o analista, o discurso antiptista continuará a ser a base da comunicação de Flávio Bolsonaro. No entanto, a campanha também pretende expandir seu alcance para além de seu eleitorado tradicional. “O bolsonarismo cresceu em um contexto de antipetismo, e é nesse campo que se sente mais à vontade”, disse.
A campanha irá trabalhar para manter os eleitores mobilizados, evitando a dispersão de votos para outras opções. Além disso, existe a intenção de dialogar com segmentos nos quais a direita teve dificuldades, como entre mulheres e eleitores do centro.
Desafios e Oportunidades
Um dos principais desafios identificados é diminuir a rejeição de Flávio entre esses grupos, sem perder o vínculo com a base tradicional do bolsonarismo. “É fundamental manter essa base antipetista unida, mas também se abrir ao diálogo com aqueles que não se identificam com essa ideologia forte. Acreditamos que há margem para crescimento nesse eleitorado menos ideológico”, esclareceu Machado.
Renato Dolci, diretor de Dados da Timelens, comentou sobre uma mudança observada nas últimas eleições, onde a rejeição tem um peso maior do que a própria preferência ideológica do eleitor. “A rejeição influencia muito mais a decisão de voto do que uma escolha baseada em ideias. Muitos brasileiros não são eleitores extremamente ideológicos. Existe um grande número de pessoas que acompanha a política de longe e que tomará sua decisão mais próxima da eleição”, afirmou.
Imagem Menos Radical
Além disso, a campanha de Flávio Bolsonaro busca construir uma imagem menos radical do que a que foi associada ao ex-presidente Jair Bolsonaro, com o objetivo de diminuir resistências. “Flávio se apresenta como um candidato que conversa com setores onde o bolsonarismo tradicional não teve sucesso. A maioria do eleitorado brasileiro tende a rejeitar o radicalismo”, comentou Dolci.
“Radicalidade pode gerar atenção nas redes sociais, mas não necessariamente garante votos. Por isso, será crucial não só mobilizar a base, mas também trabalhar para reduzir a rejeição”, concluiu.
O programa Mapa de Risco, que aborda temas políticos, é transmitido todas as sextas-feiras, às 6h da manhã, no YouTube e em outras plataformas de podcast.
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