23 de outubro de 2026
Tecnologicarcas querem neoliberalismo digital sem freios, diz Lula

Análise do Discurso de Lula na ONU

No dia 22 de setembro de 2026, durante a abertura da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez um discurso contundente, criticando as grandes empresas de tecnologia e reiterando a necessidade de regulamentação das plataformas digitais e da inteligência artificial. Ele apontou que um grupo restrito de ‘tecnoligarcas’ tenta estabelecer um modelo neoliberal sem controle e normas claras.

Desafios da Revolução Tecnológica

Lula destacou que estamos vivenciando uma grande revolução tecnológica, que traz tanto riscos quanto oportunidades. Ele enfatizou que seria uma falha grave ignorar a necessidade de regulamentar as grandes empresas de tecnologia. Segundo o presidente, essas corporações têm impulsionado uma corrida tecnológica que ignora diretrizes da ONU e de órgãos científicos globais voltados para a inteligência artificial. “Empresas que estão cientes dos riscos de suas inovações devem assumir a responsabilidade e não transferir o ônus para as famílias”, comentou.

Recursos Naturais e Valor Agregado

O presidente também abordou a questão da exploração dos recursos naturais do Brasil, especificamente minerais críticos e terras raras. Ele reafirmou que a exploração desses recursos deve prioritariamente beneficiar a população brasileira. “A extração de nossas riquezas deverá garantir valor agregado em nosso território, transferência de tecnologia e suporte a setores estratégicos”, afirmou Lula.

Principais Temas do Discurso

  • Autoelogio: Lula começou seu discurso mencionando sua trajetória como operário e líder, destacando suas vitórias eleitorais e seu papel na luta pela democracia.
  • Multilateralismo em Crise: Ele alertou que o multilateralismo está em crise e que a Organização Mundial do Comércio está perdendo sua relevância, criticando o uso de tarifas como instrumento de coerção.
  • Reforma do Conselho de Segurança: O presidente pediu uma reavaliação do Conselho, afirmando que o direito de veto das potências está criando um déficit de responsabilização.
  • Soberania Nacional: Lula declarou a posição do Brasil em não se submeter a influências externas e reiterou o apoio à autodeterminação dos povos, citando a situação da Venezuela.
  • Conflitos Internacionais: O presidente se manifestou sobre a situação em Gaza, criticando a ofensiva israelense e defendendo uma solução de dois Estados.
  • Segurança Regional: Mencionou a criação de leis e operações contra o crime organizado e defendeu a cooperação internacional para combater o tráfico de armas e dinheiro.
  • Democracia: Reforçou o compromisso do Brasil com a democracia, afirmando que não permitirá ações que desestabilizem a vontade popular nas eleições.
  • Meio Ambiente: Lula reiterou a importância de ações globais para combater mudanças climáticas, promovendo iniciativas de preservação da Amazônia.
  • Fome e Pobreza: Ele fez um apelo para um orçamento que priorize os pobres, destacando a necessidade de ações efetivas contra a desigualdade.
  • Cuba: Reiterou sua posição contrária ao embargo comercial e energético contra Cuba, considerando-o ilegal.
  • Inteligência Artificial e Tecnologia: Criticou a falta de regulamentação para as big techs e a inteligência artificial, alertando contra a desregulamentação.
  • Cooperação Internacional: Defendeu a formação de parcerias construtivas entre Brasil, América Latina, África e Ásia.

A Participação de Lula na ONU

Este foi o décimo discurso de Lula na Assembleia Geral da ONU como presidente. Estiveram presentes na bancada brasileira sua esposa, Janja, altos funcionários do governo e embaixadores. Após sua chegada a Nova York no dia 20 de setembro, Lula teve uma agenda repleta de encontros, incluindo conversas com líderes internacionais e membros da ONU.

Lula expressou a importância de reuniões futuras para discutir temas relevantes como a situação da Palestina, desigualdade e promoção da paz. O ministro Mauro Vieira liderará discussões sobre a Zopacas, enquanto Wellington Dias participará de atividades ligadas à Aliança Global contra a Fome e a Pobreza.

Com este discurso, Lula reafirma o posicionamento do Brasil frente às grandes questões globais, em uma busca por um mundo mais justo e igualitário.

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