23 de outubro de 2026
Inadimplência pressiona mercado de crédito para empresas

Risco de Crédito: Uma Análise da Situação Empresarial no Brasil

Um novo levantamento realizado pela Intra Asset, uma gestora de recursos especializada em crédito estruturado, revela que a situação de inadimplência e os altos juros no Brasil têm gerado uma atenção crescente para os riscos de crédito. Nos últimos seis anos, cerca de 400 grupos empresariais deixaram a carteira da gestora.

Saiu da Carteira: Motivos e Números

Desses grupos, impressionantes 70% optaram por sair após a deterioração do risco de crédito. Isso significa que a Intra Asset decidiu encerrar preventivamente operações com essas empresas, cuja capacidade de pagamento estava comprometida. O objetivo era mitigar o risco de prejuízos futuros. Por outro lado, 30% das empresas analisadas conseguiram melhorar sua saúde financeira. Este grupo quitou suas dívidas e voltou a ter acesso ao crédito oferecido por grandes bancos.

A Ampla Análise das Empresas

Durante o período de análise, a Intra Asset avaliou aproximadamente 1.500 grupos empresariais. Desses, cerca de 500 chegaram a operar ativamente com a gestora, mas apenas cerca de 100 continuam ativos atualmente.

A avaliação abrange uma série de indicadores importantes, como a geração de caixa, níveis de endividamento, liquidez e garantias. Além disso, são monitorados sinais de deterioração financeira, como quedas nas margens de lucro, atrasos com fornecedores e a necessidade contínua de capital de giro, que é utilizado para cobrir despesas do cotidiano.

Fragilidades Ocultas

Fernando Moreira, diretor de Gestão de Fundos da Intra Asset, destaca que os balanços financeiros podem não revelar todas as fragilidades de uma empresa. “Uma companhia pode parecer saudável em seus demonstrativos, mas, na prática, trazer vulnerabilidades que só se tornam visíveis quando analisadas de perto”, comenta Moreira.

Perfil das Empresas Analisadas

As companhias sob análise apresentam um faturamento anual que supera os R$ 120 milhões. Dentre elas, cerca de 60% da exposição da carteira se concentra em empresas com receitas superiores a R$ 1 bilhão. A indústria corresponde a 45% da exposição total, seguida pelo comércio, varejo, atacado e distribuidores, que representam 30%. O agronegócio, por sua vez, é responsável por aproximadamente 20% da exposição.

Desafios de Financiamento e Taxas de Juros

Os elevados juros impactam significativamente os custos dos empréstimos e as renegociações de dívidas. Empresas que dependem de capital de giro ou que precisam renovar seus financiamentos enfrentam uma pressão adicional sobre o fluxo de caixa.

A análise de crédito visa distinguir uma necessidade temporária de recursos de problemas financeiros mais duradouros. Uma empresa pode buscar financiamento para fazer novos investimentos ou para manter suas operações enquanto espera a chegada de pagamentos. Em contrapartida, outra pode depender de novos empréstimos, pois sua receita atual não está conseguindo cobrir as despesas.

“No contexto do crédito, aprovar uma operação é apenas o início. O monitoramento do risco deve ser contínuo durante toda a vigência da exposição”, afirma Moreira.

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