23 de outubro de 2026
Petróleo recua 3%, mas segue acima dos US$ 100

Mercado de Petróleo sob Pressão: Conflitos e Projeções de Oferta

A sexta-feira, 11 de setembro de 2026, trouxe uma leve queda nos preços do petróleo, mas a commodity ainda se mantém próxima da marca de US$ 100. Às 10h30, o barril do Brent era negociado a US$ 104,02, uma redução de 3,32%, enquanto o WTI registrava um recuo de 3,67%, cotado a US$ 98,57.

Apesar dessa queda, ao longo da semana, ambos os tipos de petróleo apresentaram um aumento de quase 8%. O Brent, em particular, está a caminho de registrar a maior alta semanal desde julho.

Projeções da Agência Internacional de Energia

Em um novo relatório divulgado nesta sexta, a Agência Internacional de Energia (AIE) revisou suas estimativas sobre a oferta e a demanda mundial de petróleo para 2026. A AIE informou que as tensões geopolíticas, incluindo os conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio, estão influenciando de maneira significativa o mercado energético.

As expectativas indicam que, em média, a oferta global de petróleo enfrentará uma queda de 5,7 milhões de barris por dia até o final de 2026. Isso representa uma redução de 6% em comparação a 2025. Na atualização anterior, divulgada em agosto, a previsão era uma diminuição de apenas 4%.

Além da oferta, a AIE também revisou para baixo suas estimativas de demanda global, prevendo uma redução de 2,5 milhões de barris por dia neste ano, frente à retração de 1,6 milhão apresentada anteriormente. Essa diminuição na demanda deve resultar na maior contração anual desde a pandemia, em decorrência do aumento dos preços dos combustíveis e da oferta em queda.

Tensões no Oriente Médio

A revisão nas expectativas vem num contexto de intensificação da guerra no Irã e aumento das tensões marítimas em rotas de transporte de petróleo. Os ataques no estreito de Ormuz e no estreito de Bab al-Mandeb, no Mar Vermelho, aumentaram os riscos associados ao transporte da commodity. O estreito de Ormuz é uma das principais rotas de exportação de petróleo mundial.

No Mar Vermelho, a avançada dos houthis, grupo apoiado pelo Irã no Iémen, em direção a áreas costeiras próximas ao Estreito de Bab al-Mandeb, tem causado preocupações ante eventuais interrupções no fornecimento. Além disso, houve relatos sobre ataques a instalações de energia na Arábia Saudita, comprometendo parte das operações no país.

No dia 10 de setembro, notícias indicaram que dois navios foram atingidos por projéteis não identificados na região a oeste de Khasab, em Omã.

Estoques e Capacidade de Refino

Outro fator preocupante que pressiona o mercado é a redução dos estoques de petróleo. A AIE destacou que as reservas de segurança estão diminuindo e que esses estoques têm sido fundamentais para equilibrar a relação entre oferta e demanda durante crises energéticas.

Paralelamente, as refinarias estão operando em capacidades próximas ao limite. Com menos petróleo disponível e uma capacidade reduzida para transformar a commodity em combustíveis, qualquer interrupção adicional na oferta pode resultar em um aumento acentuado nos preços.

A AIE também enfatizou que a recuperação total dos fluxos de petróleo provenientes dos produtores do Oriente Médio deve ser adiada para 2027, considerando a continuidade dos conflitos na região.

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