17 de julho de 2026
Após pressão interna, tarifaço dos EUA poupa ferro-gusa e minerais críticos | CNN Brasil

Atualização sobre Tarifas ao Ferro-Gusa

Recentemente, o governo dos Estados Unidos decidiu incluir o ferro-gusa na lista de produtos isentos da tarifa de 25% imposta ao Brasil. Essa decisão veio após pressões de siderúrgicas americanas, que alertaram sobre o risco de aumento nos custos de produção de aço no país.

Alterações na Proposta Inicial

A inclusão do ferro-gusa representa uma das principais modificações em relação à proposta preliminar apresentada pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) em junho. Já minerais considerados críticos e estratégicos, como minério de ferro, nióbio, grafite, lítio e terras raras, foram inicialmente excluídos da tarifa.

A lista definitiva foi divulgada na última quarta-feira (15), junto à decisão de aplicar a sobretaxa sobre uma ampla gama de produtos brasileiros. Essa cobrança entrará em vigor no dia 22 de julho.

O que é o Ferro-Gusa?

O ferro-gusa é um produto intermediário essencial na siderurgia, produzido pela transformação do minério de ferro em altos-fornos. Embora ainda não seja aço, serve como uma matéria-prima fundamental para a produção de aço e ferro fundido por siderúrgicas e fundições.

Reações nos EUA

Originalmente, o ferro-gusa brasileiro não constava na lista de exceções, o que gerou reações que partiram das próprias empresas americanas. Durante uma consulta pública realizada pelo USTR, associações do setor argumentaram que a tarifa não incentivaria a produção local e resultaria apenas em custos mais altos para as siderúrgicas.

Em uma audiência pública, a Steel Dynamics, uma das principais fabricantes de aço dos EUA, destacou que a cobrança eleva consideravelmente seus custos e pode comprometer sua competitividade e novos investimentos.

Além disso, a SMA (Steel Manufacturers Association), que representa siderúrgicas que utilizam fornos elétricos a arco, também solicitou a inclusão do ferro-gusa na isenção.

Pressão da Indústria Brasileira

A indústria brasileira, por sua vez, mobilizou uma ofensiva para reverter a cobrança sobre o ferro-gusa. O Sindifer (Sindicato da Indústria do Ferro no Estado de Minas Gerais) contratou advogados e apresentou argumentações ao USTR, além de participar de audiências públicas em Washington.

Reconhecimento do USTR

Na decisão final, o USTR reconheceu a validade dos argumentos apresentados. O órgão informou que mais de 95% do ferro-gusa produzido nos EUA é consumido internamente, o que deixa outros produtores dependentes de importações. Além disso, apontou que há poucas alternativas viáveis ao produto brasileiro, considerando que a China consome quase toda a sua produção e que as ofertas da Rússia e da Ucrânia foram afetadas pela guerra.

Consequentemente, as importações brasileiras se mostraram essenciais para atender à demanda americana. Em 2025, o Brasil foi o principal fornecedor de ferro-gusa para os Estados Unidos.

Divergências na Indústria Americana

Embora haja um consenso em favor da isenção do ferro-gusa, existem vozes de discordância dentro da indústria americana. A Cleveland-Cliffs, uma das poucas empresas ainda envolvidas na produção de ferro-gusa nos EUA, defendeu a imposição da tarifa.

Minerais Alternativos

Ao contrário do ferro-gusa, muitos minerais brasileiros já estavam incluídos na lista preliminar do USTR. Isso inclui minério de ferro aglomerado e não aglomerado, manganês, cobre, níquel, cobalto, grafite natural, entre outros.

Além disso, produtos com algum nível de processamento, como ferronióbio e ferroníquel, também foram poupados da sobretaxa. Essa decisão reflete a intenção dos Estados Unidos de evitar a elevação dos custos de matérias-primas que são cruciais para sua própria indústria.

Conclusão

Com a inclusão do ferro-gusa, o setor mineral brasileiro obteve uma proteção significativa contra a tarifa adicional de 25%. Entretanto, é importante destacar que nem todos os produtos da mineração foram isentos; setores como algumas rochas ornamentais e certos produtos minerais industrializados permanecem vulneráveis à nova cobrança.

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