17 de julho de 2026
Por que o Ibovespa subiu quase 3% e chegou ao maior valor desde 14 de maio nesta 6ª?

Nesta sexta-feira, dia 10, o Ibovespa registrou uma alta de 2,97%, alcançando 177.866,37 pontos, o maior fechamento desde 14 de maio. Este resultado marca o terceiro aumento consecutivo do índice, que subiu 2,18% na semana. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho apresentou uma variação abaixo do esperado, o que reforça a expectativa de que o Banco Central seguirá com cortes na taxa Selic. Essa tendência pode beneficiar os lucros futuros das empresas e torná-las mais competitivas em relação às opções de renda fixa.

Desempenho do Mercado

Entre as 79 ações analisadas, apenas Prio teve um desempenho negativo, com uma queda de 0,29%. Apesar das tensões aumentadas entre os Estados Unidos e o Irã, que foram destacadas pelo presidente Donald Trump, o mercado parece perceber a escalada do conflito como temporária. O Estreito de Ormuz, embora com um número reduzido de embarcações, continua aberto, e há indícios de que Washington e Teerã estão dispostos a recomeçar negociações.

Expectativas para a Economia

O índice Ibovespa fechou acima da média das Bolsas de Nova York, com um volume financeiro de R$ 24,99 bilhões. No acumulado do mês, a alta chega a 3,40%, enquanto o crescimento anual está em 10,39%. O analista de investimentos e sócio da GT Capital, Nicolas Gass, ressalta que a principal razão para o crescimento do índice é a inflação, que se aproxima da meta. Isso abre espaço para o Comitê de Política Monetária (Copom) continuar a redução da taxa de juros em agosto, um fator que deve beneficiar o mercado de ações.

Dados da Inflação

O IPCA apresentou uma elevação de 0,16% em junho, valor que ficou abaixo do piso de 0,26% previsto pelas projeções. No acumulado em 12 meses, o índice registrou uma alta de 4,64%, também subestimando as previsões realizadas, que indicavam uma expectativa mínima de 4,75%.

Matheus Spiess, estrategista na Empiricus Research, destaca que mesmo que o espaço para cortes na Selic seja menor do que se imaginava no início do ano, há possibilidade de o número a ser cortado ser maior do que o anteriormente esperado, especialmente após os eventos no Oriente Médio.

Impacto da Selic nas Ações

Taxas de juros mais baixas geram efeitos positivos para o mercado acionário por duas razões principais: elas diminuem a expectativa de alavancagem das empresas e aumentam o valuation, que considera o fluxo de lucros futuros ao trazer esse valor para o presente por meio de uma taxa de juros reduzida. Segundo Rafael Stephano, advisor sênior da Blue3 Investimentos, essa dinâmica deve continuar a incentivar o crescimento das ações.

Perspectivas para o Petróleo

Após a divulgação do IPCA de junho, impulsionado pela deflação dos alimentos, Felipe Camargo, economista da Oxford Economics, reiterou que espera uma queda da taxa Selic para 13,50% ao ano até 2026, considerando o alívio nos preços do petróleo. Nesta sexta-feira, o contrato do Brent para setembro caiu 0,38%, cotado a US$ 76,01 por barril, embora tenha registrado um aumento de 5,39% durante a semana.

Volatilidade no Mercado

Para Gass, da GT Capital, o foco do mercado atualmente é que o Estreito de Ormuz permanece acessível, apesar da situação instável. Spiess acrescenta que a normalização das operações no Estreito não será um processo linear e aguardamos uma volatilidade significativa, como a observada na última semana. A alta semanal do Ibovespa, que ocorreu após correções em três dos cinco pregões, foi influenciada pela situação internacional e pelo fluxo relacionado à Inteligência Artificial.

Próximos Passos

Na segunda-feira, serão divulgados dados importantes, como o boletim Focus às 8h25 e as estatísticas da balança comercial semanal às 15h, que poderão impactar ainda mais as expectativas do mercado.

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