
O Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, declarou em uma coletiva de imprensa nesta terça-feira que o Brasil continuará participando das negociações com os Estados Unidos, apesar da iminente aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros. Ele enfatizou a importância de não se afastar da mesa de negociações e buscar uma solução para reverter essa decisão.
Reuniões Técnicas em Washington
Rosa informou que uma nova rodada de conversas está programada entre a equipe técnica brasileira em Washington e representantes do Escritório de Representação do Comércio dos EUA (USTR). Esse encontro ocorrerá durante um intervalo nas audiências que fazem parte da investigação iniciada com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
O ministro elogiou o caráter produtivo da reunião, ressaltando que as discussões foram divididas em tópicos. Uma das prioridades abordadas foi o pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para uma atuação conjunta no combate ao crime transnacional e ao crime organizado, um ponto reconhecido como passível de progresso por ambas as partes.
Investigação e Tarifas Propostas
O USTR concluiu em junho uma investigação comercial que resultou na proposta de uma tarifa de 25% sobre diversos produtos brasileiros, exceto por algumas exceções listadas. Esta manobra se baseia na Seção 301, um mecanismo que permite ao governo americano investigar práticas que possam prejudicar seu comércio e impor sanções.
A investigação foi autorizada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e a decisão final sobre a implementação das tarifas deve ocorrer até 15 de julho de 2026, conforme os prazos legais estabelecidos.
Questões Políticas nas Negociações
Ao ser questionado sobre a atuação do pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, que está nos EUA tentando reverter as tarifas, o Ministro Márcio Elias reforçou que o Brasil não pretende misturar questões políticas nas discussões com os americanos. “Aqui não há espaço para discussões de natureza política, eleitoral ou qualquer interesse que não seja o Brasil”, afirmou.
Setores Produtivos e Diálogo Constante
Rosa destacou ainda que representantes de setores afetados por essa situação já estiveram em contato com autoridades brasileiras antes e durante as audiências. Ele ressaltou a presença de setores produtivos no diálogo visando defender os interesses do Brasil e a importância dessas interações para a negociação.
Discussão sobre o Setor de Etanol
Quando indagado sobre eventuais concessões do governo brasileiro em relação ao setor de etanol, mencionadas por Flávio Bolsonaro, o ministro enfatizou que esse tema não pode ser abordado nas negociações atuais. Ele destacou que a imposição de taxas sobre o açúcar brasileiro nos EUA precisa ser considerada, pois a discussão envolve toda a cadeia produtiva do setor.
Rosa lamentou que alguns queiram equiparar o etanol brasileiro ao americano, possibilitando a entrada facilitada do produto dos EUA no Brasil. Para ele, essa situação poderia comprometer fortemente a produção de etanol, especialmente no Nordeste, onde esse setor é crucial para a economia local.
Por fim, o ministro reafirmou a posição do Brasil ao manter um diálogo constante com os setores produtores, enfatizando a importância de uma negociação cuidadosa que atenda aos reais interesses do país.
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